Governança em Plataformas Algorítmicas

Seminário promovido pelo MidCid com o Prof. Dr. Julio Cesar Lemes de Castro, pesquisador de pós-doutorado junto ao PPGCC-Uniso. Será amanhã  (12/6, terça-feira) das 9 às 12 horas, no Anfiteatro da Biblioteca.

 

No período recente se desenvolve um modo de gestão do social, associado ao neoliberalismo, que pode ser caracterizado como governança algorítmica. Seu modelo de funcionamento são as plataformas algorítmicas, redes de acesso controlado que redefinem continuamente a identidade do usuário com base em dados fornecidos por ele ou extraídos de sua atividade. É o caso dos serviços do Google, tomados conjuntamente; de redes sociais, como o Facebook; de sites de comércio eletrônico, como a Amazon; de provedores de transmissão contínua, como o Spotify e a Netflix; de dispositivos acoplados à Internet das Coisas, como as tecnologias vestíveis; e de serviços de economia do compartilhamento, como o Uber e o Airbnb.

Para apreender a dinâmica da governança algorítmica, ela será examinada em três dimensões fundamentais. A primeira é a dimensão relacional: nas plataformas o indivíduo é fragmentado em seus traços digitais, os quais são recombinados em múltiplas relações, constituindo perfis customizados. A partir daí se desdobra a dimensão vetorial: tais relações são orientadas, captando tendências e embutindo projeções sobre o futuro. Por fim, essa orientação deslancha a dimensão agenciadora, desempenhando os papéis de amplificação de afinidades e contenção de diferenças, e gerando efeitos do tipo bolha ou bola de neve.

Para entender as circunstâncias em torno da interação do usuário com as plataformas algorítmicas, serão utilizadas categorias que adaptam elementos conceituais de diversas origens. A recursividade remonta à matemática, à tecnologia e à cibernética. A propriedade recursiva aplica-se à interpelação, que se refere à abordagem do usuário pelo algoritmo, recalibrada a cada iteração. A agência da interpelação pode distribuir-se em instâncias de alteridade representadas pelo algoritmo ou por outros atores. A interpelação opera por meio da definição ad hoc de perfis a partir da combinação de traços do usuário, o perfilamento. Este, por sua vez, consolida-se em virtude de sua assunção pelo usuário, que corresponde ao efeito performativo do algoritmo.

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